Mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Indústria Criativa (PPGCIC) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Ani Meireles, Deise Moreira e Laura Escobar participaram da Feira Brasileira do Varejo (FBV) 2026, realizada entre os dias 20 e 22 de maio, em Porto Alegre. A experiência proporcionou contato com tendências contemporâneas em inovação, comunicação, consumo, marketing e transformação digital, ampliando repertórios e fortalecendo pesquisas desenvolvidas no âmbito do mestrado profissional.
Integrando uma comitiva organizada pelo Sebrae e parceiros, as pesquisadoras tiveram acesso a uma programação voltada à inovação, tecnologia, marketing, comportamento do consumidor e desenvolvimento de negócios. Considerada um dos principais eventos do setor no país, a FBV 2026 reuniu quase 12 mil participantes, 131 expositores e mais de 150 marcas, promovendo debates sobre inteligência artificial, experiência do cliente, economia criativa, branding e os desafios do varejo contemporâneo.
Ao longo dos três dias de evento, especialistas, empresários, comunicadores e lideranças nacionais participaram de debates sobre transformação digital, cultura organizacional, produção de conteúdo, comportamento de consumo e inovação. Entre os destaques acompanhados pelas mestrandas estiveram o painel “O Futuro do Consumo: o que os dados revelam sobre o novo varejo”, mediado pela jornalista Giane Guerra, além de discussões relacionadas ao posicionamento de marca, experiência do consumidor e construção de comunidades nas plataformas digitais.
No contexto do mestrado profissional, experiências como a participação na FBV fortalecem a aproximação entre pesquisa aplicada, inovação e demandas contemporâneas da sociedade. A atividade também amplia possibilidades de articulação entre universidade, mercado e desenvolvimento regional, especialmente em áreas ligadas à comunicação, economia criativa e transformação digital.
Pesquisando como práticas do jornalismo podem atuar como catalisadoras do trabalho desenvolvido por mulheres cientistas, Laura Escobar destaca que a experiência permitiu ampliar o olhar sobre tendências e estratégias que impactam diferentes áreas da comunicação e dos negócios.
“Participar da FBV foi uma oportunidade de observar tendências, estratégias e comportamentos que estão transformando mercados e organizações. Para quem desenvolve pesquisas aplicadas, esse contato com experiências reais amplia o olhar sobre inovação, comunicação e sobre as conexões possíveis entre universidade, mercado e sociedade. Foi também uma oportunidade de aproximar ainda mais a comunicação pública da ciência das tendências em negócios e economia criativa.”
Voltada às paisagens urbanas de São Borja e aos ladrilhos hidráulicos históricos da cidade, a pesquisa desenvolvida por Ani Meireles dialogou diretamente com debates apresentados durante a feira sobre território, memória, design e economia criativa. A mestranda investiga formas de transformar esses elementos em produtos culturais ligados à identidade territorial e às narrativas locais.
“Participar da FBV ampliou minha percepção sobre como marcas e projetos criativos podem transformar território, memória e identidade em experiências culturais significativas”, conta Ani, destacando o contato com Estevan Sartoreli, cofundador da chocolateria Dengo, como um dos momentos mais inspiradores, pela forma como a empresa traduz narrativas brasileiras em design e experiência de marca por meio da cocriação com artistas. Para ela, a feira reforçou ainda o papel do design e da comunicação como estratégias de valorização cultural em territórios periféricos e fronteiriços, como a região das Missões e da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
Entre os temas que atravessaram as diferentes falas da feira, um se destacou como fio condutor: a centralidade do contato humano. Olhar nos olhos, acolher, ouvir com atenção e não esquecer que negócios são feitos de gente para gente. A tecnologia e a inteligência artificial foram amplamente citadas como ferramentas poderosas, mas restritas ao que acontece “atrás do balcão”, nos processos internos, na eficiência operacional. Na frente, no que toca o cliente e constrói relação, o que faz diferença continua sendo o humano. Essa percepção ressoa com quem vive o trabalho como algo que cresce e se valoriza exatamente na medida em que as conexões com pessoas se aprofundam.
Integrante da comitiva organizada pelo Sebrae, Deise Moreira ressalta a importância de iniciativas que aproximam conhecimento, inovação e desenvolvimento regional.
“A Feira Brasileira do Varejo se conecta diretamente com a comunicação e a indústria criativa, mostrando que o varejo não é ameaçado pela inteligência artificial ou pelo e-commerce se soubermos manter o foco na experiência humana. No meu trabalho de pesquisa, entendi através dos grupos focais que é por meio do coletivo que a transformação acontece. Eventos como este deixam claro que a comunicação e o coletivo são os verdadeiros meios para engajar as pessoas e fazer com que o cliente se sinta parte do processo, gerando um impacto real no desenvolvimento territorial. ”
Segundo Deise Moreira, a parceria entre o Sebrae e as instituições participantes contribui para ampliar o acesso a experiências, tendências e práticas inovadoras que podem fortalecer iniciativas acadêmicas, profissionais e empreendedoras em diferentes territórios. Para a mestranda, esse movimento também reforça o papel do PPGCIC na articulação entre pesquisa aplicada, inovação e desenvolvimento regional, especialmente em contextos marcados pela criatividade, pela comunicação e pela construção de soluções conectadas às demandas da sociedade.
A experiência na FBV também reforça a importância da integração entre universidade, instituições de apoio ao empreendedorismo e mercado, ampliando as possibilidades de impacto social das pesquisas desenvolvidas no PPGCIC. A diversidade de temas abordados durante a feira evidencia ainda uma característica presente nas pesquisas vinculadas ao programa: a compreensão de que os desafios contemporâneos exigem olhares interdisciplinares, capazes de conectar comunicação, inovação, tecnologia, cultura e desenvolvimento social.

