Aula Magna História-Licenciatura, 23/04, 19h

Na próxima quarta-feira, dia 24 de abril, às 20h, na sala 311 do prédio 1 do Campus Jaguarão, será realizada a Aula Magna do curso de História-Licenciatura da Universidade Federal do Pampa.
É uma atividade em que todo o curso participa. Todos/as professores/as que têm aula nesta noite, registrarão a atividade como aula e contará presença.
A convidada será Claudia Regina Plens, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Estado de São Paulo, com atuação na área de Arqueologia Histórica. Cláudia é doutora em Arqueologia (USP) (doutorado sanduíche na Universidade de York – bolsa ALBAN). Também é professora do Programa de Pós-Graduação em História e Criadora e Coordenadora do Curso de Especialização em Antropologia Forense e Direitos Humanos, ambos da UNIFESP. Dentre os projetos que participa e coordena, destacamos o projeto interinstitucional “Arqueologias do DOI-Codi do II Exército (São Paulo): leituras plurais da repressão e da resistência”.
A palestra, com o título “Arqueologia da Memória: Indígenas na Sombra da Ditadura Militar”, abordará aspectos que marcaram a repressão e resistência dos povos originários em relação a Ditadura Civil Militar. No ano de 2024, que fecha a efeméride dos 60 anos do Golpe, o curso de História entende ser fundamental realizar uma reflexão crítica sobre o período e também evidenciar toda a opressão vivenciada pelos povos indígenas executadas pela Ditadura, que tem recebido nos últimos anos diferentes produções de pesquisas. Recentemente, o povo Krenak teve reconhecidas e condenadas pela Justiça, as diferentes violências sofridas por esta comunidade pela Ditadura Civil Militar.
A atividade é gratuita, não necessita inscrição, e está aberta para toda comunidade.

GEESPA – Atividade Formativa Territórios Negros em Jaguarão, 16/04, 17h

O Grupo de Estudos Sobre Escravidão e Pós-Abolição (GEESPA) irá realizar uma Atividade Formativa para atuação no projeto de extensão da Oficina Territórios Negros em Jaguarão.
A atividade também serve como formação para os temas da História Social da Escravidão e para o campo de estudos do Pós-Abolição.
A Oficina, que existe desde 2011, está sendo executada como projeto de extensão no terceiro ano seguido após o retorno da pandemia, diretamente com as escolas do município. Tem sido uma ótima estratégia de atuação pedagógica antiracista e que evidencia os protagonismos negros na cidade.
A Atividade Formativa será realizada na próxima terça-feira, dia 16 de abril, às 17h, na sala 105 do prédio 1, o Administrativo.
A atividade será certificada.

CARTA DO LEHMAI SOBRE DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE LULA

 

Com o presente texto o Laboratório de Estudos da História do Mundo Árabe e Islã (LEHMAI/UNIPAMPA), apresenta seu apoio a declaração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no último dia 18, na coletiva de imprensa da 37º Cúpula da União Africana. A declaração do presidente Lula, ainda que possa ser debatida por eventuais contradições conceituais, cumpriu uma necessidade urgente de chamar a atenção para a Causa Palestina de forma contundente e provocativa. A retórica de afrontamento abordou uma temática tabu, as possíveis aproximações entre a política do estado colonialista sionista de Israel, contra a população palestina, e as políticas existentes na Alemanha nazista, quando da perseguição da população judia. Comparações entre as políticas nazistas e a política colonial sionista do Estado de Israel, não são novidade, já foram feitas em 1948, pela intelectual judia Hanna Arendt e o cientista judeu Albert Einsten, em carta aberta, no jornal The New York Times e, recentemente, pela escritora judia estadunidense Masha Gessen, que publicou um ensaio na revista New Yorker, comparando aberta e diretamente Gaza ao Gueto de Varsóvia. Em ambos os casos o objetivo era clamar publicamente, causando revolta e indignação.
Cada processo genocida tem suas particularidades históricas, tornando o exercício de comparação uma tarefa melindrosa. Uma das acusações recorrentes contra a fala do Presidente Lula é a comparação direta nos números de vítimas, entre 6 milhões de judeus exterminados em toda Europa, contra “apenas” 30 mil palestinos mortos em Gaza. Vale chamar a atenção que este é o número de palestinos mortos (até o momento) somente nesta ofensiva israelense. Não há outra palavra, além de genocídio, para definir a execução de 30 mil pessoas, incluindo cerca de 10 mil crianças, que estão encurraladas em um minúsculo território, sem possibilidade de fuga e sem capacidade de defesa. Se nada for feito, caminhamos a passos largos para a normalização do extermínio da população de Gaza. É inegável que presenciamos uma forma de holocausto palestino.
A palavra Holocausto, apropriada pela historiografia para definir um dos acontecimentos mais terríveis da História humana, o extermínio em lógica industrial da população judaica da Europa pela política nazista alemã, tornou-se sinônimo da Shoa judaica. Entretanto, o conceito de holocausto, muito antes das funestas consequências da “Solução Final”, foi amplamente utilizado para definir diferentes massacres, mortandades e aniquilações de povos. A palavra holocausto provem da raiz grega holokauston, que pode ser entendida como “sacrifício consumido em chamas”. Definição que, ao nosso ver, é apropriada para definir o sacrifício indiscriminado de milhares de vidas, em sua maioria esmagadora de civis indefesos e crianças, que têm suas existências consumidas pelo fogo das bombas do exército de Israel.
Pelo menos desde 1948, a população palestina, sob ocupação colonial, vive seu próprio holocausto, com características particulares, supor tanto segregação, humilhações, deslocamentos, desenraizamentos, limpeza étnica, invisibilização, silenciamento, apagamento, violência de Estado (através de leis discriminatórias), subordinação a leis marciais, punições coletivas, desapropriações, sanções econômicas, toques de recolher, circunscrição territorial (com negação de livre movimentação), racionamento sobre recursos básicos para sobrevivência (alimentação,
água e medicamentos) e eliminação física sistemática (sempre que possível, em grandes proporções). De fato, cada genocídio tem suas particularidades, existem muitas formas de se matar um povo e nem todas passam pelo acelerado extermínio em escala industrial. O governo de Israel recorre constantemente à estratégia de colocar-se no lugar de ofendido, provocando ruído, exigindo retratações, definindo toda e qualquer forma de contestação de sua política assassina de ocupação como antissemitismo. Trata-se de uma manobra evasiva, uma forma de desviar a atenção do verdadeiro problema, a verdadeira ofensa, a terrível crise humanitária hora vivida em Gaza, levada às últimas consequências pela política de extrema direita de Netanyahu, que insiste em tratar toda população palestina – homens, mulheres, idosos e crianças – como integrantes do Hamas. A confusão intencional entre antissemitismo e antissionismo transforma críticas à política genocida do Estado de Israel em um ataque a todos os judeus, tática que se apresenta como uma eficiente chantagem que atua através do constrangimento. Enquanto isso, acumulam-se denúncias contra a brutalidade da política de estado israelense, em sua grande maioria ignoradas, naturalizando a banalidade da violência
contra os palestinos.
O presidente Lula, em nenhum momento, em sua declaração, demonstrou postura negacionista ou banalizou o Holocausto, pelo contrário, chamou a atenção para a violência incomensurável e à injustiça vivida pela população judaica europeia nesse traumático acontecimento histórico. O incômodo causado pela sua fala, que gerou tanta polêmica, foi comparar esse sofrimento com o vivido pelos palestinos em Gaza atualmente. Não houve a desconsideração de uma brutalidade, mas a constatação de duas.
Toda nossa solidariedade ao Povo Palestino! Palestina Livre!