Cinema impulsiona produção acadêmica e debate social no curso de Jornalismo

Professor de Jornalismo fortalece ensino, pesquisa e extensão por meio do cinema

 

Alunos do curso de Jornalismo participam de atividade cinematográfica coordenada pelo professor Alexandre Rossato Augusti.
O cinema tem sido uma das principais ferramentas utilizadas pelo professor Alexandre Rossato Augusti para aproximar estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus São Borja, da pesquisa científica, da extensão universitária e da reflexão sobre temas sociais, culturais e contemporâneos. Ao longo do primeiro semestre de 2026, o docente coordenou projetos que resultaram na produção de artigos acadêmicos, exibições de filmes e debates voltados à formação crítica dos estudantes.
Com atuação na área dos estudos audiovisuais há mais de uma década, Alexandre desenvolve o projeto de pesquisa “A perspectiva hedonista no cinema: beleza, prazer e outros enfoques em narrativas clássicas e contemporâneas”, iniciativa que investiga como diferentes formas de prazer são representadas nas narrativas cinematográficas. Segundo o professor, o tema do hedonismo é o foco central de suas pesquisas desde a conclusão do doutorado em Comunicação.
O projeto reúne estudantes interessados em analisar filmes e documentários sob diferentes perspectivas teóricas. Conforme Alexandre, a proposta busca oferecer aos participantes uma experiência de iniciação científica que contribua para o desenvolvimento de pesquisas, participação em eventos acadêmicos e produção de artigos com potencial de publicação.
Neste semestre, foram concluídos dois trabalhos científicos desenvolvidos por alunos vinculados ao projeto. O primeiro, “O Prazer da Gula: uma análise do hedonismo materialista de Michel Onfray presente na narrativa fílmica de ‘Estômago’”, foi produzido por Alexandre Rossato Augusti e Jonatan Mancias Soares. A pesquisa analisa o filme brasileiro Estômago a partir da relação entre prazer, alimentação e a filosofia hedonista de Michel Onfray.
De acordo com o professor, o trabalho surgiu do interesse do estudante em aprofundar uma temática específica dentro dos estudos do hedonismo. Alexandre avalia que a pesquisa trouxe uma abordagem original sobre um filme relevante do cinema nacional e permitiu explorar um tema ainda pouco estudado sob essa perspectiva.
O segundo artigo finalizado foi “O Prazer e as Drogas: uma leitura do filme ‘Meu Nome Não é Johnny’ pela ótica do hedonismo”, assinado por Ana Carolina Conceição, Gabriela Antunes, Regiane Cordova e Alexandre Rossato Augusti. O estudo investiga como a busca pelo prazer é retratada na narrativa do filme, especialmente em sua relação com o consumo de drogas e seus impactos individuais e sociais.
Segundo Alexandre, o trabalho demonstra como os estudos de cinema dialogam com diferentes áreas do conhecimento. “A comunicação tem isso. Ela traz essas intersecções com campos como sociologia e psicologia”, observa o professor ao comentar a pesquisa desenvolvida pelas estudantes.
Além da pesquisa, Alexandre coordena o projeto de extensão Sessão Pipoquinha, iniciativa tradicional do campus São Borja criada pela professora Mara Ribeiro e mantida há vários anos com a participação de docentes e estudantes. O projeto promove exibições gratuitas de filmes seguidas de debates, utilizando o cinema como instrumento de reflexão e diálogo com a comunidade acadêmica.
Atualmente, a ação conta com a colaboração dos estudantes voluntários Alice Goulart Coffi e Samuel Plates Munhoz. As sessões são realizadas principalmente no auditório do campus, embora também já tenham ocorrido em outros espaços da universidade.
Neste semestre, foram exibidos os filmes Buy Now, documentário que discute os mecanismos do consumo contemporâneo e seus impactos na sociedade, e Blade Runner, clássico da ficção científica utilizado como ponto de partida para debates sobre tecnologia, inteligência artificial e comportamento humano. Após as exibições, os participantes foram convidados a discutir os temas abordados nas obras.
Para Alexandre, o cinema ocupa um papel importante na formação universitária por possibilitar o contato com a arte e estimular reflexões sobre questões que atravessam a sociedade. O professor destaca que uma formação mais ampla passa necessariamente pela experiência artística e pela capacidade de interpretar diferentes representações da realidade.
“A partir da representação fílmica, nós temos condições de tratar temas clássicos que sempre serão importantes e também problemas contemporâneos da nossa época”, afirma. Segundo ele, o cinema permite que estudantes vivenciem a arte não apenas como entretenimento, mas também como ferramenta de aprendizado, formação profissional e debate educativo.
Ao integrar ensino, pesquisa e extensão, as iniciativas coordenadas por Alexandre Rossato Augusti reforçam o papel do cinema como espaço de produção de conhecimento, desenvolvimento acadêmico e formação crítica no curso de Jornalismo da Unipampa.
Texto: Maicon de Matos Mendes
Imagens: Milene Marchezan