Diretora sindical falou a futuros jornalistas na Unipampa
O Curso de Jornalismo da Unipampa recebeu a fala de Mônica Cabañas Guimarães, jornalista, escritora, terapeuta ericksoniana e diretora do SindJoRS, nesta segunda-feira (07), para uma reflexão sobre a função dos jornalistas na sociedade, falando de questões como saúde mental e que envolvem a profissão, mas também sobre sua atuação profissional no exterior.
“Jornalistas são como beija-flores”, disse a palestrante, que abriu com esta frase o encontro virtual promovido pela Coordenação do Curso, em conjunto com o Diretório Acadêmico (Dajor) e o Sindicato dos Jornalistas do RS. Gaúcha e morando na Suíça, Mônica se empenhou em explicar o elo do profissional com a sociedade e abordou o exercício profissional do jornalismo em muitas direções. Disse que é função do jornalista traduzir o mundo para que a grande maioria das pessoas tenham acesso direto ao que está acontecendo e para que entendam por onde e como se posicionar diante dos acontecimentos.
Nas suas palavras, “por mais que seja algo bonito de se fazer, ser jornalista é algo que não se separa da pessoa. Existe uma linha muito tênue entre profissão e vida pessoal e isso afeta o psicológico de muitos que têm a missão de noticiar e trabalhar com eventos traumáticos, sendo também afetados e atravessados por eles”. Mônica Guimarães comentou sobre os índices de assédio moral e ataques à imprensa e que, segundo ela, são preocupantes.
Conforme dados trazidos por ela da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em 2024, o número de ataques contra jornalistas caiu para 144 casos, o menor número registrado nos últimos seis anos. Isso representou uma diminuição considerável em relação ao auge da violência contra jornalistas registrados nos anos do governo Bolsonaro (PL). Ainda assim, são números expressivos, disse ela, sem contar os casos de burnout, já que a profissão expõe os profissionais à alta competitividade, pressão constante, longas jornadas e à exposição a notícias negativas e traumáticas, bem como a sobrecarga de produção.
Em sua fala, a palestrante alertou ainda que, mais do que cuidar do mundo, o jornalista deve olhar para si. Disse que mesmo sendo esta uma profissão desafiadora, escolheu o jornalismo porque queria mudar o mundo e o fez a sua maneira. Trabalhou no governo, tem papel importante no Sindicato dos Jornalistas, é correspondente do Brasil de Fato em Genebra, onde atualmente reside.
E foi além: apaixonada pelas Letras, não contribui com o mundo somente por meio das notícias. Tornou-se escritora no período em que viveu no México, onde fez um mestrado voltado à terapia ericksoniana . Entre suas produções, escreveu “As aventuras de Nico e Frida”, livro infantil que aborda temas como medo, bullying e eventos climáticos.
Alana Silvestre, aluno do curso e que ingressou no segundo semestre de 2025/2, disse que apreciou muito a troca com a palestra de Mônica Guimarães. Segundo ela, “foi muito enriquecedora. Entender como podemos atuar fora do país e como as principais engrenagens públicas aqui precisam do jornalista foi bem interessante.”
Mônica relatou que sua experiência na assessoria do INSS foi também uma das que mais a ensinou sobre o comprometimento com a verdade e a importância de entender o máximo de lados de um mesmo fato.
Texto: Heloisa Teixeira Domingues, bolsista da Coordenação do Curso
