Maternar na Universidade | Área Básica de Ingresso – Física, Matemática, Química e Ciências Naturais

Maternar na Universidade

Maternar na universidade: Unipampa fortalece permanência de mães na Licenciatura em Caçapava do Sul

Em 13 de fevereiro de 2026, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) anunciou que o projeto Maternagem Unipampa – Espaço de acolhimento e apoio à permanência materna foi contemplado com R$ 200 mil por meio do Edital Participa 2026, iniciativa da deputada federal Denise Pessoa. O recurso consolida uma política institucional que já vinha transformando a realidade de mães estudantes em diversos campi da instituição — entre eles, o campus de Caçapava do Sul.

A proposta foi submetida pela Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (Procadi), sob coordenação da pró-reitora Claudete da Silva Lima Martins, e selecionada na Área VI – Políticas de Prevenção, Acesso à Justiça e Enfrentamento à Violência.

Mais do que um projeto, o Maternagem Unipampa consolida-se como uma política pública universitária de cuidado, equidade e permanência estudantil.


O que é o Maternagem Unipampa?

O projeto nasceu em 2023, inicialmente nos campi Uruguaiana e Dom Pedrito, e foi institucionalizado em 2024 pela Reitoria. Atualmente, já está presente em oito campi:

  • Alegrete

  • Bagé

  • Caçapava do Sul

  • Dom Pedrito

  • Jaguarão

  • São Borja

  • São Gabriel

  • Uruguaiana

A Unipampa tornou-se a primeira universidade pública do Rio Grande do Sul a subsidiar, com recursos próprios, espaços permanentes de acolhimento e apoio à permanência de estudantes-mães.

O projeto articula cuidado, equidade de gênero e permanência acadêmica, reconhecendo que a maternidade, quando não acompanhada de políticas institucionais, pode se tornar um fator de evasão no ensino superior.


Maternar e permanecer: impacto direto na Licenciatura

No campus de Caçapava do Sul, onde há forte presença de cursos de Licenciatura, o projeto ganha uma dimensão ainda mais estratégica.

A formação de professores e professoras exige:

  • carga horária intensa,

  • estágios supervisionados,

  • atividades extensionistas,

  • deslocamentos,

  • produção acadêmica constante.

Para mães estudantes, especialmente na Licenciatura, esses desafios se ampliam quando não há rede de apoio estruturada.

O Maternagem contribui diretamente para:

  • Redução da evasão de mães na graduação;

  • Garantia de continuidade na formação docente;

  • Fortalecimento da autonomia econômica futura dessas mulheres;

  • Combate às desigualdades estruturais que afetam mulheres-mães no ensino superior.

Como destacou a pró-reitora Claudete Martins, “cuidar de quem cuida é uma estratégia concreta necessária à prevenção de violências e ao enfrentamento das desigualdades estruturais”.


Uma política de equidade e transformação social

A vice-reitora Francéli Brizolla relembra que, ainda em 2024, a gestão foi demandada a apoiar uma iniciativa voltada ao cuidado de filhos/as de mães estudantes. A partir disso, houve aporte imediato de recursos e institucionalização das ações, antes vinculadas apenas a projetos de docentes.

“O Maternagem veio para ficar”, afirma a vice-reitora, reforçando que a permanência estudantil precisa considerar as múltiplas realidades dos estudantes.

O reitor Edward Frederico Castro Pessano também destaca o compromisso com a equidade de gênero, reconhecendo o Maternagem como um dos projetos mais importantes da atual gestão.


Universidade pública que cuida

O Maternagem Unipampa representa uma mudança de paradigma: a universidade deixa de ser apenas espaço de formação técnica e passa a se afirmar como espaço de cuidado, acolhimento e justiça social.

Para mães na Licenciatura em Caçapava do Sul, o projeto significa:

  • possibilidade real de concluir a graduação;

  • segurança para permanecer estudando;

  • reconhecimento institucional de suas múltiplas jornadas;

  • construção de uma formação docente que já nasce atravessada pela experiência do cuidado.

Ao investir na permanência materna, a Unipampa investe na formação de futuras professoras que levarão para a educação básica uma compreensão ampliada de equidade, inclusão e direitos.

Maternar na universidade não é privilégio. É política pública. É permanência. É justiça social.