Curso

O curso de especialização tem como objetivo colaborar para a formação continuada de ex-alunos e professores de História atuantes na Rede de Ensino, querendo estreitar a relação entre produção histórica acadêmica e o saber escolar.

A trajetória do processo educacional brasileiro mostra que ainda estamos no início de um longo caminho. Somente em 1930 surgiu o Ministério da Educação, inicialmente incorporada à Cultura (MEC). Apesar de várias tratativas para se escrever um lei nacional de Educação, somente em 1961, com no governo João Goulart apareceu a primeira LDB, Leis de Diretrizes e Bases da Educação. No período da ditadura civil-militar esta lei foi revogada, e a educação passou por um grave retrocesso, principalmente na área das Humanas. Mesmo com o fim da ditadura civil-militar em 1985, somente em 1996 surgiu a terceira LDB, que reorganizou a educação brasileira ao novo contexto nacional e internacional. Vista como neo-liberal, esta lei se alinha a um pensamento mercadológico da educação, em que os alunos são formados para serem incorporados ao mercado de trabalho, sem, no entanto, refletirem e repensarem os próprios projetos de sociedade, consequentemente, de trabalho regidos pela sociedade capitalista.

Pela negligência do Estado e também pelos retrocessos históricos, a educação brasileira demorou em projetar ideias que rompessem com uma visão tradicional e conteudista que vigoraram – e ainda vigoram – em nossa sociedade. Segundo o pedagogo Fernando Becker, a escola baseada numa educação diretiva vê o aluno como uma tábula rasa. Como se o mesmo não tivesse o que oferecer e contribuir a aula. Assim, o professor tudo ensina, e o aluno só aprende aquilo que o primeiro expõe. Não há relação de ensino-aprendizagem entre estes sujeitos, porque os mesmos nem relação de diálogo mantêm. Para o educador Fernando Becker, a pedagogia relacional é mais apropriada ao nosso presente, e ao próprio processo de repensar a educação. Nesta pedagogia o estudante participa, é companheiro de aprendizagem do educador, traz em sua bagagem histórias de vida que podem ser relacionadas aos próprios temas explorados em aula. Cremos que o curso de especialização em Ensino de História pode ser um excelente espaço de diálogo e troca de experiências, já que tanto as universidades como a escola crescem com esta relação, pois seus trabalhos dependem diretamente do outro.

Além da percepção de Fernando Becker sobre a pedagogia relacional, outro autor, precedente a este, contribui para pensarmos a educação problematizadora. Paulo Freire, em sua conhecida obra Pedagogia do Oprimido, critica a educação bancária e propõe uma educação transformadora, que não vê a realidade como uma fatalidade, mas sim como uma situação problema, que deve ser objeto reflexão e ação. A educação transformadora busca a libertação da passividade, e esta libertação é o resultado das ações dos próprios sujeitos que são históricos e protagonistas de suas próprias ações. Assim, as palavras de Freire nos fazem sonhar em uma educação não burocrática ou mercadológica, mas que tem compromisso em mudar, constantemente, o mundo e suas injustiças. O curso de especialização em Ensino de História buscará oportunizar aos educadores e educadoras, instrumentos que possam traçar estratégias de intervenção nesta realidade.

O filósofo Izván Mézsáros, em sua obra Educação para Além do Capital, afirma que a educação não deve ser algo limitado a um tempo específico da vida de uma pessoa. Lamentavelmente, muitos acreditam que a educação tem o objetivo de inserir os alunos no mercado de trabalho. Nesse raciocínio, alguns finalizam o Ensino Fundamental ou o Médio, outros fazem ainda a universidade. Mas para Mézsáros a educação é algo que começa quando nascemos e só termina quando morremos. Sempre temos o que aprender. Assim, é necessário considerar a educação, em seus espaços formais ou informais, como extrema necessidade ao longo de nossa vida. Certamente opiniões pífias e preconceituosas diminuiriam se o estudo fosse algo levado para toda vida, em que nossas posições poderiam ser sempre enfrentadas e questionadas, estabelecendo o constante diálogo. Portanto, aqui pensamos a formação continuada como uma maneira de se seguir aprendendo – e ensinando. Ou seja, o curso de especialização faz parte da necessidade – tanto dos e das docentes que ministrarão os componentes, como das professoras e dos professores inscritos – de aprender, repensar, planejar, ações educacionais que estreitem a produção histórica acadêmica do saber escolar.